7 de março de 2017
26 de fevereiro de 2016
Três crónicas sobre o Bloco face ao PCP nos primeiros anos
Com efeito, e só para citar algumas frases mais significativas, Alberto Matos (UDP) invocou as «ambiguidades» do PCP face ao PS e falou das « «colagem do PCP ao Governo à espera de uns lugares». Luís Fazenda (UDP) referiu que o país não precisa de «uma oposição que num dia proteste e no dia seguinte esteja a tentar um negócio de poder», reclamando de seguida que «o PCP que se defina». E, para abreviar a lista, acrescente-se que Heitor de Sousa, no Congresso do PSR, terá também acusado o PCP de ter uma posição de compromisso com a política de direita assim induzindo uma postura conformista e rotineira do movimento operário.
Porque começam por deturpar, falsificar e amesquinhar a indiscutível realidade de que o PCP tem sido a grande força de oposição de esquerda ao Governo do PS, agindo em todos os planos da vida nacional com rigorosa autonomia política e estratégica e desempenhando um papel incontornável não apenas na defesa de interesses populares imediatos mas também na luta por valores, por uma política e por um projecto alternativo de esquerda.
Porque começam dando objectivamente continuidade à operação lançada pelo PSD, e especialmente acarinhada pelo «Expresso», para apresentar o PCP como «muleta do PS», precisamente para fazer esquecer que, nesta legislatura e nas matérias fundamentais e decisivas, os grandes aliados do PS têm sido o PSD e o PP.
Porque começam com o truque de, olhando o campo da esquerda, precisarem de decretar que é um deserto para melhor se apresentarem com a si próprios com uma miragem do desejado oásis.
Quanto ao resto, cada um é livre de avaliar a contribuição que será dada para a dignificação dos partidos e da
E, já agora, tendo decidido entre si, e só entre si, como aliás é seu pleno direito, a configuração e arranque deste projecto eleitoral, alguns dos seus promotores bem nos podiam poupar ao truque do «desafio ao PCP»que releva de um misto de paternalismo e arrogância que nós não usamos com eles.
E poupem-nos sobretudo ao truque de, perante esta ou outras anotações críticas às suas deturpações caluniosas sobre a orientação do PCP, se virem apresentar depois como inocentes vítimas de uma suposta «agressividade» e «sectarismo» do PCP, ou exibir aquela conhecida sensibilidade de flor de estufa, sempre baseada no sagrado princípio de que uns podem dizer o que quiserem sobre os outros, mas os outros já nem sequer podem responder, ainda que em proporcionada atitude de legítima defesa. — Vítor Dias
6 de fevereiro de 2016
Há 82 anos, a revolta fascista em França.
2 de outubro de 2015
Afastando o nevoeiro
17 de setembro de 2015
Nos 50 anos do assassinato de Humberto Delgado
Para prender alguém não é preciso LEVAR CAL VIVA E ÁCIDO SULFÚRICO
Vítor Dias
No passado dia 13 cumpriram-se precisamente 50 anos sobre o assassinato em Almerines, em Espanha e muito perto da fronteira portuguesa, do General Humberto Delgado e da sua secretária e companheira Arajaryr Campos, perpetrado por uma brigada da PIDE composta por António Rosa Casaco, inspector, Ernesto Lopes Ramos, subinspector (que tinha estagiado na CIA), Agostinho Tienza, chefe de brigada e Casimiro Monteiro, também chefe de brigada, na sequência de uma armadilha (baptizada «Operação Outono») fria, longa e premeditadamente montada, em cuja concepção desempenhou um papel fundamental Barbieri Cardoso, inspector superior com o pelouro das «informações», e que, como é de toda a evidência, recebeu o aval de Salazar e de outros altos responsáveis do fascismo.
E, pela parte dos comunistas portugueses, nenhuma dúvida que a grande marca de água da evocação desta importante efeméride só pode e deve ser a merecida homenagem ao corajoso e destemido combatente antifascista em que se tornou o General Humberto Delgado e a reiterada condenação do regime fascista que deliberadamente o mandou matar, em mais uma destacada confirmação do seu carácter terrorista e sanguinário.
Entretanto, não deve constituir surpresa que, 50 anos depois, mesmo após o conhecimento das peças processuais do julgamento (e da sua revoltante e infame sentença) que decorreu em 1981 no Tribunal Militar de Santa Clara e de dezenas de obras e trabalhos jornalísticos sobre este assunto persistam e sobrevivam dúvidas, interrogações e hipóteses diversas sobre certos aspectos concretos do crime que a opinião pública tenderá naturalmente a seguir com o interesse de quem acompanha um romance policial.
Entre outras razões e factores, acontece assim, desde logo porque os directa e comprovadamente implicados no crime se esmeraram sempre em diferentes versões do que realmente ocorreu, no seu compreensível interesse em sacudir a água do seu capote para o capote de outros participantes mas, significativamente, todos sempre querendo convenientemente sustentar o carácter acidental da morte de Delgado e ilibar os mais altos responsáveis da PIDE e Salazar. E também porque, de modo algum similar, alguns dos mais próximos companheiros de Delgado nesta época e grandes alimentadores das suas concepções aventureiras, quiseram rapidamente fazer esquecer toda uma vasta documentação (cartas e mais cartas, planos «revolucionários» e mais «planos «revolucionários», etc., etc.) que não abona em nada o papel objectivamente negativo que desempenharam junto do General, com especial gravidade a partir de 1964 quando este se afasta da Frente Patriótica de Libertação Nacional, fica isolado dos principais sectores e personalidades antifascistas e inteiramente nas mãos de bajuladores e arrivistas, de provocadores do mais variado tipo, ou seja, o quadro ideal para que a chamada «Operação Outono» pudesse ser concretizada com êxito, a partir do papel crucial desempenhado pelo informador da PIDE Mário de Carvalho, residente em Itália, e que conseguiu chegar a representante pessoal do General e em quem este manteve total confiança apesar de sucessivos alertas e avisos designadamente do PCP.
Neste sentido, o que mais importará não é saber se a palavra «assassinato» ou «liquidação» foi ou não proferida nas conversas prévias entre Salazar, Santos Júnior, Silva Pais e Barbieri Cardoso (tudo gente boa entendedora para meia palavra lhes bastar), se Delgado foi morto a tiro ou por espancamento brutal (como a autópsia espanhola parece ter indicado) e tantas outras questões deste nível mas sim, ainda que em termos necessariamente breves e muitíssimo incompletos, insistir em dois aspectos essenciais, a saber:
17 de dezembro de 2014
5 de dezembro de 2014
20 de novembro de 2014
30 de outubro de 2014
22 de outubro de 2014
17 de julho de 2014
30 de maio de 2014
No 90º aniversário de J.M. Varela Gomes
Geninha Varela Gomes





















